Matéria Especial – História dos Jogos de Luta (PARTE III).

Vamos continuar com o excelente material escrito pelo LEGENDARIO

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Vimos na Parte I e na Parte II um pouco da evolução dos jogos de luta, um dos gêneros que se já não é, com certeza foi, um dos pilares da indústria dos games por pelo menos duas décadas. Vimos como as principais séries “nasceram” e o que elas trouxeram como evolução. A esta altura, final do ano de 1992, já haviam estreado Street Fighter e Mortal Kombat e os fighting games já eram mais do que títulos esporádicos, pois já eram vistos como um gênero próprio, com suas características bem definidas. Dentro desse gênero, é bom deixar claro, entramos na chamada “era de ouro”, pois se grandes séries e jogos antológicos já haviam estreado, nos 3 próximos anos teríamos uma enorme quantidade de clássicos “nascendo”. Devido a esta quantidade gigantesca, nessa Parte III falaremos sobre os games lançados em 1993. Podem esperar que tem muita coisa boa nesse ano.

Em 1993, teremos grandes lançamentos, que vão originar mais algumas séries famosas, como a primeira versão de Samurai Shodown, Virtua Fighter, ClayFighter e Power Instinct. Entre as continuações, Super Street Fighter II: The New Challenger, Mortal Komat II e World Heroes 2. Começando por Samurai Shodown, o jogo é conhecido no Japão como Samurai Spirits e foi lançado pela SNK. Como disse, anteriormente, surgiria um jogo que seria o mais expressivo, e porque não famoso, jogo de luta 2D envolvendo armas. E isso se mantêm até hoje, pois ninguém questiona a qualidade de um título como Guilty Gear/Blazblue, mas também é inquestionável que a série Samurai Shodown é o maior representante entre os jogos de luta 2D que envolvem armas. Como inovações, o jogo trouxe lutas head to head utilizando armas brancas, que variavam entre katanas, espadas ninja (ninja-to) e uma espécie de foice com correntes (kusarigama). Havia uma barra de especial, que quando cheia, transformava-se na palavra POW e o personagem podia desferir um golpe mais poderoso, conhecido como especial. Nesse primeiro game, o efeito do carregamento desta barra era apenas de fazer com que os golpes causassem maior dano. Dependendo da forma como se terminasse a luta, acontecia um “fatality”, pois o lutador derrotado com uma espadada forte, por exemplo, aparecia fatiado. As disputas eram mediadas por um juiz (kuroko) e havia uma forma de se jogar com esse juiz, na versão de Neo Geo, no segundo jogo da série. A história reunia lutadores de diversas partes do mundo, como a francesa Charlotte, o americano Galford, o chinês Wan-fu e os japoneses Haohmaru (inspirado no lendário Miyamoto Musashi), Nakoruru e Hatori Hanzo. Os acontecimentos tomam lugar no século XVIII no Japão, durante o Sakoku, ou o período de isolamento do Japão (os quatro primeiros jogos têm cronologia nos anos de 1788 e 1789). Os aspectos sonoros e gráficos também são bons, sendo que retratam efeitos e músicas típicas do Japão dos shoguns. Este título ganhou várias continuações e mostraremos as principais, na medida que forem sendo lançados.

O próximo game de luta é Virtua Fighter, lançado pela SEGA/AM2, para a placa Model 1. Esse game foi altamente revolucionário, e posso dizer que sacudiu não só o mundo dos jogos de luta, mas dos games como um todo. Isso tudo porque, até então, a jogabilidade era toda 2D, ou seja, em dois planos, na qual o lutador poderia andar para frente e para trás, além de pular. Com Virtua Fighter isso foi mudado radicalmente, pois nesse jogo os personagens tinham total liberdade de movimento pela arena. Outro ponto revolucionário no jogo foi pela introdução dos gráficos poligonais, que de acordo com o hardware da época, eram de última geração. A jogabilidade era baseada em três botões: um de soco, um de chute e outro de defesa. Todos os golpes saiam de uma combinação entre esses botões. Como disse, era bem simples e não haviam golpes especiais, apenas socos, chutes e agarrões mais fortes, mas nada como um hadouken ou um power geyser. Esse foi outro ponto que o diferenciou, pois estava mais próximo dos jogos de luta livre do que dos jogos que lideravam o mercado. A jogabilidade mais “realista”, contudo, parava nos saltos, pois esses eram altos e lentos. Trazia 8 lutadores possíveis, de diferentes artes marciais, como Pai Chan, Wolf Hawkfield e Jefry McWild. Ganhou ports para vários sistemas, algumas continuações e também concorrentes de peso, como Tekken e Dead or Alive.

A variedade dentro desse “universo” dos jogos de luta é enorme. Sem contar que há gostos dos mais variados e, por isso, jogos considerados mais “inusitados” sempre encontram público. Clayfighter é um exemplo disso. Lançado para Super Nintendo e ganhando uma versão para Mega Drive, um ano mais tarde, é um jogo de luta entre seres feitos de argila, que parecem ter saído de um circo, sendo Bad Mr. Frosty (o snowman) e Bonker (o palhaço) os mais famosos. Mas não é à toa que os personagens pareçam saídos de um circo, pois segundo a história do jogo, um meteoro gigante feito de argila se chocou com a Terra nas proximidades de um circo, contaminando os empregados e os transformando em seres de argilosos com superpoderes. Sua jogabilidade é marcada pelo lado do humor. Algumas continuações, sendo duas delas para SNES (ClayFighter: Tournament Edition e C2: Judgement Clay) e duas para N64 (ClayFighter 63⅓ e ClayFighter: Sculptor’s Cut). As continuações trouxeram para a série mais modos e gráficos melhorados, graças a um hardware superior. A grande curiosidade é que C2: Judgement Clay foi feito como uma paródia ao Exterminador do Futuro 2 (T2: Judgement Day).

Power Instinct é outra grande série que surgiu também nesse ano de 1993 e que também leva os combates com uma certa dose de bom humor. Ou alguém vai me dizer que não se lembra do jogo da velhinha que tinha como uma de suas “magias” sua própria dentadura? O game inovou por trazer pulos duplos, transformações em determinados momentos, principalmente ao se executar agarrões, e ainda por trazer frases diferentes para a vitória e a derrota de cada lutador, característica essa que foi retirada da versão em inglês. O jogo utiliza quatro botões, sendo dois de socos e dois de chutes, e possui golpes e especiais, sendo executados por combinações entre o direcional e os botões. Cada personagem possuía seu próprio cenário e estes poderiam “aumentar” de tamanho, pois os limites poderiam ser quebrados, expandindo-os. Havia a presença de bônus stages, depois da quarta luta. Por falar em personagens, haviam oito personagem jogáveis e um chefe final. O lutadores todos são descendentes do clã Oketsuji e lutam para determinar quem é o mais forte lutador e, consequentemente, o líder do clã. O torneio ocorre a cada cinco anos e Oume Goketsuji, de 78 anos de idade, vai tentar defender seu reinado que já dura 60 anos. O jogo, desenvolvido pela Atlus, ganhou ports para Super Nintendo e Mega Drive. Também ganhou continuações futuras para Saturn e PS2, entre outros.

Já entre as continuações, Super Street Fighter 2: The New Challegers trouxe o prefixo “Super” para o jogo, e com ele mais personagens. Foram as estréias de Dee Jay, Fei Long, T. Hawk e Cammy. Como melhorias, estas foram principalmente gráficas e sonoras, pois a Capcom tentou tirar proveito da nova placa, a CPS-2. Na parte do som, foi introduzido o sistema Q-sound. O jogo trazia diversos “bugs” e conta a lenda que foram causados pela pressa da Capcom no lançamento para fazer frente ao arrasa quarteirões, Mortal Kombat II.

Aliás, MKII  trouxe como melhorias novos fatalities, babalities, friendships e outros stage fatalities. Pode-se dizer que, por essas adições, o segundo jogo ficou um pouco menos “sério” que o primeiro. Outras preocupações marcaram essa seqüência, como as melhorias gráficas, algumas inclusive feitas à mão, e sobrepostas às conhecidas imagens digitalizadas. O som melhorou graças a utilização da placa de som da Williams DCS. Na história, Shao Kahn devolve a juventude a Shang Tsung após esse lhe jurar lealdade. Shang Tsung convence Shao Kahn a realizar o Mortal Kombat em Outworld, pois assim teria a vantagem de lutar em casa e, caso fosse o vencedor, poderia lançar a fúria de Outworld sobre Earthrealm. O game marcou a estréia de Baraka, Jax, Kung Lao, Millena, Kitana e Reptile. Como secretos, Smoke, Jade e Noob Saibot fizeram suas aparições.

Nesse mesmo ano, ainda foi lançada uma continuação de World Heroes. World Heroes 2 teve sua qualidade gráfica melhorada, bem como a parte sonora e a jogabilidade. Sua trilha sonora é considerada a melhor da série. Ao panteão de personagens foram adicionados mais seis, sendo Neo Dio o último chefe. Na história desse segundo jogo, Hanzou volta para Alemanha (depois de derrotar Neo Geggus) para treinar e se acostumar com o Japão moderno, até que a máquina do tempo fosse consertada pelo Doutor Brown (Emmett?!?). Este descobre que passado, presente e futuro estavam aprisionados no corpo de Neo Dio e somente quem o destruísse poderia voltar para casa. Os seis novos personagens trazem, assim como no primeiro jogo, referência a personagens reais da história e são: Capitão Kid (famoso pirata escocês), Erick (viking), Ryoko (mais nova judoca a representar o Japão em uma olimpíada), Johnny Maximum (famoso e violento jogador de futebol americano da década de 70), Shura (famoso lutador de Muai Tai da década de 60) e Mudman (que representa um dos muitos nativos das ilhas da Indonésia que lutou contra colonizadores europeus).

Com isso, terminamos a Parte III. Tivemos como destaque nessa parte, que retratou o ano de 1993, as estréias de Samurai Shodown e, em especial, de Virtua Fighter. Porque o Virtua? Porque foi o divisor de águas na jogabilidade dos games de luta, em 2D e em 3D. Os títulos de luta 3D começaram a surgir, e no próximo ano (1994) já teremos um dos maiores representantes do estilo: Tekken (e no futuro a SEGA continuaria sua empreitada nos Fighting Games 3D com Last Bronx e Fighting Vipers). Os jogos 2D também estarão presentes, estando em sua “melhor época”. Não percam a Parte IV pois, a exemplo da Parte III, detalharemos apenas um ano, e será o ano de 1994. Grandes jogos nos aguardam, como a estréia de King of Fighters (KOF para os mais íntimos), Killer Instinct, Darkstalkers e X-men: Children of the Atom, somente para citar os melhores. Muitas, muitas mais coisas boas nos aguardam. Até lá!

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Um jogador das antigas, que ainda continua na ativa no mundo dos videogames!

6 responses to “Matéria Especial – História dos Jogos de Luta (PARTE III).”

  1. Henrique R. Sobrinho says :

    Aew, tamo quase na 7º…

    • KuroShinigamiBR says :

      tava quase na 7ª agora tera que acompanhar aqui por que o antigo blogue (para não citar nomes) Fexo e eu acho que demoro muito pra fexar ja tava um zona!!!

  2. Anonymous says :

    “Esqueçeu do fatal fury special, que na minha opinião era muito bom.”

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