A História dos jogos de luta – PARTE 2

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A segunda parte da excelente matéria escrita pelo ERICO GUERINO, confiram mais da história de um dos generos mais adorados dos videogames, os jogos de luta!

Durante a primeira parte (Parte I) da História dos Jogos de Luta, você pôde acompanhar conosco um pouco da evolução desse gênero. Na 1ª parte, fomos dos primeiros “games porradeiros” até o primeiro Street Fighter, e vimos que a Capcom aproveitou várias idéias que já haviam surgido e as usou no primeiro Street. Como disse, o fez com muita competência, criando um título que mesmo não fazendo o sucesso de seu sucessor, Street Fighter II, já mostrava a “cara” da empresa e da série que nós conhecemos.

Entre as adições feitas pela Capcom, estavam o uso dos direcionais para se bloquear / defender, andar, pular e as combinações de comandos (direcional e botões) para se executar golpes especiais. Esse pode ter sido seu maior mérito, mas talvez pela péssima resposta aos controles, o jogo não fez grande sucesso. Ganhou um port para o Turbografix 16-CD com o nome de Fighting Street, além de diversos ports futuros (PS2, PSP, Game Cube e Xbox) para outros sistemas e consoles.

Ainda estamos em 1987 e, nesse ano, surge outro game de luta, que era Barbarian: The Ultimate Warrior. Produzido pela Palace Software, o primeiro Barbarian era um jogo com armas, no qual se controlava um personagem chamado Gorth, que por sua vez, deveria salvar uma princesa de um feiticeiro maligno. Podem-se contar alguns atrativos, e entre eles dois chamam mais a atenção. O primeiro era a campanha de marketing baseada em modelos reais, tanto do bárbaro quanto da princesa, que foram considerados ofensivos, devido as roupas que não usavam. É que nessa época, em especial, o público alvo dos jogos ainda eram as crianças e, por isso, os protestos ao redor do mundo. Já na segunda curiosidade pode-se notar que Barbarian era extremamente violento, e isso não foi questionado hora nenhuma pela mídia. Apenas falou-se no apelo sexual da arte, o que funcionou, pois ele foi um sucesso de vendas. Possuía um único personagem no modo história, mas havia no jogo um “versus mode”. Os controles eram simples: Gorth dava chutes e espadadas. O jogo só não foi o primeiro a utilizar armas porque em 1982 tivemos Bilestoad (os lutadores usavam escudos e machados), mas foi o jogo que deu ao gênero luta uma grande visibilidade. Os mais famosos a se utilizar de armas em combates foram Samurai Shodown e Soul Edge. Chegaremos a eles, tanto aos 2D quanto aos 3D.

Em 1990 tivemos o lançamento de Pit Fighter. Um clássico dos Arcades, mas que mistura aspectos de um beat’n up com jogos de luta. Ele pode ser considerado um jogo de luta porque o lutador é colocado frente a frente com seu adversário e seu objetivo é derrubá-lo, acabando com a barra de vida do oponente. Porém, existem vários aspectos de um beat’n up, como pegar itens disponíveis no cenário ou no chão e combinações de golpes com combos simples. Há, ainda, a presença de agarrões, voadoras e a liberdade total para se andar pela arena. O jogo não adotou a perspectiva em perfil, como a maioria da época. Na verdade, a maior revolução foi justamente o modo cooperativo para até três jogadores, algo extremamente raro até então. Graficamente, parece um antecessor de Mortal Kombat. Pit Fighter utilizava atores reais, digitalizados, mas apesar disso, MK somente seria lançado, popularizando este estilo de arte, em 1992.

Enquanto isso, em 1991, a SNK, sigla que significa Shin Nihon Kikaku (“Projeto Novo Japão”) entra em cena. A SNK foi fundada em 1978, em Osaka, com o propósito de criar e produzir programas eletrônicos e componentes de informática para uma série de usos. Sua principal contribuição na parte de hardware foi a criação da Placa MVS (Neo Geo MVS), que diferia das utilizadas na época pelo fato de funcionar com um cartucho acoplado, sendo que para se trocar o jogo do árcade bastava-se trocar o cartucho. Na década de 1980 lançou alguns jogos como Vanguard, P.O.W. e Ikari Warriors. Sua estréia no universo dos fighting games ocorreu justamente em 1991, com Fatal Fury: King of Fighters (Garou Densetsu: Shukumei no Tatakai). O jogo surgiu nas máquinas e foi também lançado para Neo Geo (Neo Geo AES), console da SNK. Nasceu para tentar fazer frente ao recém lançado Street Fighter 2, da Capcom. Quanto a jogabilidade, esta se baseia na particularidade de ser realizada em dois planos, na qual o jogador aperta um botão para pular de um plano para outro. Outro aspecto é que esse jogo mostrou algo que se tornou quase que um padrão do gênero, seguido até hoje por jogos atuais, como Blazblue, por exemplo. Os comandos de golpes que, para serem executados, necessitavam de uma combinação entre comandos do direcional e botões de soco e chute, quase que evoluindo o que havia sido mostrado no título da Capcom. Isso ficou conhecido como o “padrão da SNK”. Sobre a história do jogo, era focada em Terry Bogard, que queria vingar seu pai, Jeff Bogard, cruelmente assassinado por Geese Howard. Geese e Jeff haviam sido discípulos de Tung Fu Hue, mestre de Terry e Andy Bogard.

Se Street Fighter – The World Warrior já provocava o surgimento de concorrentes, a sua versão posterior, Champion Edition ganhou o mundo. Ela deu o ar da graça no ano seguinte. Como inovações, esse Street trouxe uma trilha sonora, que até hoje é sucesso absoluto, e que conquistou todos os jogadores. Graficamente, nos brindou com sprites mais bonitos do que seu antecessor, pois foi lançado na famosa CPS-1, de fabricação da própria Capcom, e que possibilitava respostas rápidas, com gráficos e sons impressionantes para a época. E por falar em respostas rápidas, essa foi a principal inovação de Street Fighter 2 e de sua primeira versão, The World Warrior.

Em 1992 temos mais duas séries que começam: Mortal Kombat e Art of Fighting. Além disso, temos ainda o lançamento de World Heroes e de mais uma versão de Street Fighter II:  Hyper Fighting. Começando por Art of Fighting, da SNK. Se eu pudesse dizer que existem dois jogos irmãos, esses jogos seriam, com certeza, Fatal Fury e Art of Fighting. A diferença básica é que Fatal Fury ganhou dezenas de continuações, ao passo que depois de certo tempo só encontrávamos novas versões de Ryo Sakazaki em The King of Fighters. A história de Art of Fighting se desenvolve no mesmo universo que Fatal Fury, sendo que Geese Howard, é também chefe em Art of Fighting 2. No primeiro jogo, Ryo Sakazaki e Robert Garcia, discípulos de Takuma Sakazaki, pai de Ryo, saem a procura de Yuri Sakazaki, que foi raptada por Mr. Big. Depois de vencer Mr. Big, Ryo e Robert ainda tem que enfrentar o enigmático Mr. Karate (com uma mascara Tengu) e descobrem que ele é Takuma. O jogador podia escolher entre Ryo ou Robert, no modo história, e no versus mode podia escolher um dos oito personagens do jogo. Art of Fighting trazia um “spirit bar”, que quando estava vazia, deixava os golpes bem mais fracos. Bom, como inovação trouxe os especiais, chamados de “Super Death Blows”, que tinham o diferencial de terem de ser aprendidos para depois serem executados. No entanto, os movimentos somente poderiam ser executados quando a barra de energia estava baixa, piscando em vermelho.

Ainda com a SNK, em 1992 foi lançado Fatal Fury 2, que trazia mais botões de chutes e socos e permitia ao jogador usar mais cinco personagens, além de Joe, Terry e Andy. O ultimo chefe era Wolfgang Krauser, que se torna o novo “responsável” pelo The King of Fighters, após a morte de Geese Howard no primeiro game. Além de trazer socos e chutes fortes e fracos, o título trouxe os “especiais” para a série, executados de forma semelhante aos Super Death Blows de Art of Fighting, com a barra de energia vazia e piscando em vermelho.

Vamos ao Mortal Kombat, da Acclaim e da Midway. A série ganhou inúmeros seguidores ao redor do mundo com seus gráficos digitalizados. Eram atores capturados digitalmente, um processo que já havia sido usado antes, só que MK foi lançado em uma época na qual essa tecnologia já estava bem mais desenvolvida. Foi originalmente, inspirado no ator Jean Claude Van Damme e como uma alternativa “gore and comedy” para a jogabilidade sólida e precisa de Street Fighter 2. O gore pode ser englobado no conteúdo violento que o jogo traz, onde se pode, literalmente, acabar com seu adversário, ao invés de simplesmente derrotá-lo. Os movimentos, chamados de Fatality, são combinações entre direções e botões, variando desde arrancar o coração do sujeito até dar uma baforada de fogo no adversário. Os comandos não se assemelham aos de Street Fighter e Fatal Fury, sendo que a maioria é dada por dois toques no direcional e algum botão. É interessante ressaltar que foi desenvolvido por 4 programadores, sendo dois deles de gráficos, um de som e um programador da engine (Ed. Boon, criador da série). A storyline diz que haviam seis realms que coexistiam, sendo eles Earthrealm, Netherrealm, Outworld, Seido, Realm of Chaos e Edenia, criados pelos Elder Gods. No primeiro jogo, sete lutadores, cada um com suas razões, participaram de um torneio, onde o prêmio era a liberdade da Terra. Liu Kang, Sonya Blade e Johnny Cage foram ajudados pelo deus dos raios, Raiden, e a Terra sobreviveu.

Street Fighter 2: Champion Edition foi a evolução direta do legendário World Warrior e trouxe como inovação a possibilidade de se jogar com os quatro chefes, permitindo que dois jogadores utilizassem o mesmo jogador, com cores diferentes. O jogo ainda melhorou um pouco os gráficos e refinou a jogabilidade. O outro upgrade, Street Fighter 2: Hyper Fighting trouxe a velocidade como inovação, deixando a jogabilidade bem mais rápida, através da opção de escolha dos modos turbo. Foi uma resposta às versões piratas que dominavam as cidades de países mais pobres. Trouxe ainda novas técnicas, como o Yoga Teleport de Dhalsim e o Kikoken da Chun-li. Por fim, para finalizar o ano de 1992, tivemos o lançamento de World Heroes, da ADK. A primeira versão (foram 4 no total) tinha oito personagens selecionáveis e recebeu várias críticas positivas. Desde o início, a ADK procurou se juntar a SNK, permitindo que ela lançasse seu jogo para o recém lançado Neo Geo e, com isso, aumentar a popularidade de seu título. Como já disse, a estratégia deu muito certo. A história do jogo é bem interessante, pois envolve o Nazismo e o Facismo, em viagens no tempo, para reunir guerreiros e derrotar os regimes autoritários. Durante essas viagens, todos vão parar no ano de 1992, que é o ano na qual o jogo se passa. Entre os guerreiros temos os ninjas Fuuma e Hanzou, Janne (pseudônimo de Joana d’Arc), Dragon (pseudônimo de Bruce Lee), Rasputin (o mago russo), Julius Carnn (pseudônimo de Marco Pólo na Mongólia) e Muscle Power (pseudônimo de Hulk Hogan, famoso ator e wrestler norte-americano).

Com isso terminamos a segunda parte. Nela o que ficou claro é que nasceu de uma vez por todas o gênero “jogos de luta” e grandes séries que idolatramos hoje já fizeram suas estréias. As diferenças entre jogabilidades começam a entrar em cena. Temos um embate de frente entre Street Fighter 2 e Mortal Kombat, com a SNK correndo por fora. Em breve surgirão os jogos com movimentação 3D, que dividirão mais ainda a cena. Dentro do 2D, no futuro, estava lançado o embrião do principal rival de Street Fighter: The King of Fighters. Não percam o próximo capítulo.

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Um jogador das antigas, que ainda continua na ativa no mundo dos videogames!

6 responses to “A História dos jogos de luta – PARTE 2”

  1. Henrique R. Sobrinho says :

    Eba…

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