A história dos jogos de luta – o ano de 1995 (parte 5)

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Pois é pesoal, devido a alguns problemas técnicos, fiquei impossibilitado de postar a continuação da saga da histótia dos jogos de luta escrita pelo Legendário, desde a sua criação ao longo dos anos até chegar aos dias de hoje (Parte I e Parte II), você pôde conferir como os jogos de luta tiveram seu início, desde 1976 a 1992. Já na Parte III, mostramos o ano de 1993, a parte IV o ano de 1994.

Vimos nas três primeiras partes a história de 1978 até 1993. Na Parte IV vimos o ano de 1994,provavelmente o ano mais movimentado em toda a história dos games de luta. Vimos que vieram à luz do mundo séries cultuadas hoje, como King of Fighters, Tekken, Darkstalkers e Killer Instinct. Vimos também que foram lançadas duas continuações de peso, como Super Street Fighter 2 Turbo e Samurai Shodown 2. Vimos, por fim, que X-Men: Children of the Atom também foi lançado, jogo fundamental pois lança as bases para os famosos crossovers da Marvel com os personagens da Capcom, a famosa série Versus. Na Parte V veremos o que aconteceu de importante durante o ano de 1995, que foi tão movimentado quanto o ano de 1994, e não menos importante, pois grandes e importantes jogos ou foram lançados ou receberam continuações nesse ano.



Virtua Fighter 2 foi lançado em Novembro de 1994 no Japão. O jogo ganhou as versões norte americana e européia em 1995. Também ganhou versões para Saturn, PC e Sega Genesis, sendo que esta última teve que ser uma versão 2D, por causa da limitação de hardware do console. Mais recentemente, em 2004, ganhou uma versão para PS2 na coletânea SEGA Ages. A versão de Genesis foi relançada em 2006 para PS2, PSP e no Virtual Console, e também na coletânea SEGA Genesis Collection. Essa conversão conseguiu, mais uma vez, conquistar as pessoas pelo seus gráficos sem paralelos na época, graças à placa Model 2, rodando a 60 quadros por segundo e sem slowdowns, mesmo na versão de Saturn, conhecido pela sua dificuldade em se programar para a plataforma. A versão caseira permitia ainda redimensionar o tamanho das arenas, indo desde pequenos tamanhos a até 82 metros (considerada extremamente grande para o gênero), bem como se ajustar também o marcador de energia. Como personagens novos, tínhamos as estréias de Lion Rafale e Shun Di. O game ainda ganhou uma versão, com gráficos e jogabilidade melhorada e ainda com a possibilidade de se jogar com uma versão redesenhada de Dural, chamada de Virtua Fighter 2.1.

Em 1995, veio também a segunda edição de outro jogo de luta 3D: Tekken. Tekken 2, em matéria de jogabilidade, não apresenta grandes variações em relação a seu antecessor. Como principal adição, encontramos novos golpes em alguns personagens. O interessante de se destacar é que o dano infligido varia de acordo com a distância em que o golpe acerta o oponente, ou seja, quanto mais de perto se executar determinados golpes, maiores são as chances dele infligir maior dano. Em relação à história, esta recebe uma continuação muito boa. Na trama, Kazuya, após sobreviver da queda do penhasco, com o auxílio da entidade conhecida como Devil, e vencer Heihachi na final do King of Iron Fist, o joga do mesmo penhasco em que fora jogado anteriormente. Com isso, assume a liderança Mishima Zaibatsu que convoca um segundo King of Iron Fist Tournament, só que oferece um prêmio mil vezes maior do que o primeiro. Mas o que Kazuya não contava é que Heihachi sobreviveria da queda assim como ele. Pois Heihachi sobrevive e vai para as montanhas meditar, a fim de aumentar suas habilidades. Como no primeiro jogo, há um final oficial para o jogo e esse final corresponde justamente ao do Heihachi. Este, após vencer Kazuya, voa em um helicóptero na direção de um vulcão em erupção e nele joga Kazuya. Com isso Heihachi reassume a Mishima Zaibatsu. Dos lutadores, temos alguns novos, como Alex, Angel, Jun Kazama, Lei Wulong e Roger. Outros retornam da primeira versão, como Heihachi, Jack-2, Marshall, Michelle, Nina, Paul e Yoshimitsu. Há ainda os personagens desbloqueáveis, que para destravá-los é necessário finalizar o jogo com algum outro personagem. São eles: Anna Williams, Armor King, Ganryu, Kazuya, Kuma, Kunimitsu, Lee Chaolan, Prototype Jack, Wang, Devil, Baek Doo San e Bruce Irving. Além de trazer uma inversão de protagonistas, o jogo ainda trouxe alguns cheats como jogar em primeira pessoa, como em um FPS. Ganhou versões para Playstation e para Zeebo, além de poder ser baixado e jogado diretamente no Playstation 3.

Entre os jogos da Capcom, vamos começar com o jogo que consideramos ser o destaque do ano de 95: Marvel Super Heroes. O jogo, desenvolvido pela Capcom, trazia os heróis da Marvel lutando contra Dr. Doom e Thanos, em uma saga conhecida nos HQ’s como “Desafio Infinito”. Na HQ, Thanos objetivava as jóias do infinito para incrustá-las em sua luva, criando a conhecida Manopla do Poder. A jogabilidade era muito semelhante a de X-Men: Children of the Atom, mas com características próprias. Primeiro, pela presença das jóias do infinito, que caiam no cenário e qualquer um dos dois personagens poderia pegá-las. Com a posse da jóia, o personagem poderia utilizá-la, o que lhe conferia poderes especiais. Cada uma das seis jóias tinha um efeito próprio. Time deixava o personagem mais rápido; Power o deixava mais forte; Soul recuperava sua energia; Reality alterava a realidade; permitindo ao personagem desferir diferentes projéteis; Space aumentava a defesa e Mind recuperava a barra de especial. Outro fator que adicionava estratégia ao jogo é que para cada lutador havia um jóia em especial que conferia à ele uma habilidade especial. Só para o amigo leitor ter uma idéia de como era estratégica essa questão da jóia correta para cada personagem: Magneto ficava invulnerável quando usava a Space e o Hulk ficava extremamente rápido ao usar a Time, a ponto de executar três socos fortes no mesmo espaço de tempo que executa um sem a jóia. No mais, o jogo possuía combos aéreos, defesa aérea e especiais exagerados, como em seu antecessor. A principal diferença era que os combos aéreos estavam um pouco mais dinâmicos do que em X-Men: Children of the Atom, já possuindo todas as características que marcariam todos os jogos da série versus. Ganhou versões para Playstation e Saturn, sendo esta última melhorada quando se utilizava o cartucho expansor de memória RAM. Dos personagens, tínhamos heróis e vilões. Entre os heróis: Homem-aranha, Hulk, Capitão América, Psylocke, Homem de Ferro e Wolwerine. Entre os vilões: Dr. Doom, Thanos, Shuma-Gorath, Blackheart, Juggernaut e Magneto. Como personagem secreto, não poderíamos nos esquecer de Anita e seu “Love for You”, na qual saiam de sua boneca 100 cabecinhas de boneca. Era tão descomunal seu poder que o simples fato de defendê-lo já levava boa parte da energia.

Outro jogo lançado também pela Capcom nesse ano foi Street Fighter Alpha (ou Zero). Como em 1994 houve o lançamento da última versão de Street Fighter 2 (apesar que no futuro teremos pelo menos mais duas), com Street Fighter Alpha inicia-se outra série. Esta série se passava antes dos acontecimentos de Street Fighter 2 e era como que um prólogo oficial da série. Não que o primeiro Street não fizesse parte da cronologia, mas o fato mais lembrado do primeiro jogo é o shoryuken desferido por Ryu em Sagat, que faz a cicatriz em seu peito. No mais, a grande maioria dos outros fatos remonta a série Alpha. Como exemplo, podemos citar o próprio Guile, que entra em Street Fighter 2 para combater a Shadaloo e vingar seu amigo assassinado. Esse amigo do Guile é Nash/Charlie, personagem da série Alpha desde o primeiro jogo. A parte gráfica deste jogo é um show, pela introdução na série Street Fighter do tipo de sprites que já eram usados em Darkstalkers, em X-Men: Children of the Atom e em Marvel Super Heroes. Quanto à jogabilidade, o jogo trouxe para Street Fighter a defesa aérea, o alpha counter, o safety roll e uma expansão nos especiais (chamados de Turbo em Super Street Fighter 2 Turbo), pois agora cada personagem poderia escolher entre dois especiais diferentes. Além disso, dependendo da quantidade de botões apertados, executava-se o especial em níveis diferentes: Nível 1 – 01 botão, Nível 02 – 02 botões e Nível 03 – 03 botões, consumindo 01, 02 ou 03 níveis da “Super Combo Gauge”. Foi nesse jogo que passamos a conhecer golpes como Shinkuu Tatsumaki Sempu Kyaku (Ryu), Kykoushu (Chun-li) e Shinryuken (Ken). Uma característica interessante desse jogo é que ele é o jogo onde os Chain Combos são mais fáceis de se executar, com seqüências de socos e chutes e golpes especiais. Novos personagens também foram inseridos na trama, alguns retornando do primeiro Street Fighter, como é o caso de Ryu, Ken, Birdie, Adon e Sagat. Outros “retornaram” de Street Fighter 2, como é o caso da bela Chun-li e do megalomaníaco M. Bison. Outros já vieram, como novidade, da série Final Fight, como Guy e Sodom. Como novos personagens apareceram Dan, Rose e Nash/Charlie. E, por fim, temos o ainda secreto Akuma.

Para terminar com os jogos da Capcom lançados em 1995, temos Darkstalkers 2, cujo título completo é Night Warriors – Darkstalkers’ Revenge. Se o primeiro jogo ganhou uma versão para Playstation, o segundo ganhou uma versão para Sega Saturn. Entre os personagens temos quatro adições, sendo dois novos personagens. É que agora Huitzil/Phobos e Pyron, os dois chefes do primeiro jogo, são jogáveis e de novos personagens temos Donovan Baine (junto com Anita, que o acompanha pelo cenário) e Hsien-Ko/Lei Lei. Retornam todos os outros personagens do primeiro jogo: Morrigan, Demitri, Anakaris, Bishamon, Lord Raptor/Zabel, Felicia, Victor Von Gerdenhein, Sasquatch, Gallon/Jonh Talbain e Rikuo/Aulbath. A história é também simples como no primeiro. Pyron ainda quer inserir a Terra em sua coleção de mundos e faz um torneio, na qual os seres míticos se inscrevem, ironicamente, como a última esperança de sobrevivência. Os dois novos personagens são dois “caçadores de Darkstalkers”. Como inovações na jogabilidade, temos dois tipos de especiais: ES Specials, que são golpes normais fortalecidos, e EX Specials, que são os especiais, propriamente ditos. Além disso, interessante destacar que os chain combos presentes na série Darkstalkers são bem próximos daqueles usados em jogos como Marvel Super Heroes e Street Fighter Alpha, como, por exemplo, socos fraco à soco médio à soco forte em seqüência, ou soco fraco à chute fraco à soco médio à chute médio à soco forte ou chute forte.

O ano de 1995 ainda nos trouxe mais um episódio da série Mortal Kombat. Dessa vez, era Mortal Kombat 3, atualizado no mesmo ano para Ultimate Mortal Kombat 3. Na história do jogo, Shao Khan, cansado de suas derrotas, resolve ressuscitar a sua rainha, Sindel, em Earthrealm, ao invés de Outworld, o que faz com que ele venha para Earthrealm e condense as duas dimensões em uma. Isso causa a morte de bilhões de pessoas e faz com que Raiden proteja um pequeno grupo de pessoas. Raiden, em si, não podia intervir pois não tinha poderes em Outworld e, conseqüentemente, em Earthrealm. Se o segundo jogo é considerado o melhor da série, o mesmo não acontece, nem de longe, com o terceiro episódio. Isso porque, principalmente, houve algumas adições no jogo que não foram muito bem recebidas. A primeira delas é a corrida, com um medidor de estamina. A segunda foram os combos com seqüências de botões. A terceira foram duas novas formas de fatality: Brutality e Animality. Além disso, o jogador poderia escolher a dificuldade do jogo depois de selecionar o lutador, na tela “Choose Your Destiny”. Outra mudança foi a introdução dos cyborgs na série: Cyrax, Sektor e Smoke (secreto). Além desses, tínhamos Nightwolf, Sindel, Sheeva, Stryker e o novo Sub-zero. Dos antigos retornavam Sonia, Liu Kang, Kung Lao, Kano, Jax (com braços metálicos) e Shang Tsung. Ausências justificadas de Raiden e Johnny Cage, o primeiro pela história e o segundo porque morreu, sendo que, inclusive, em um dos cenários do jogo aparece uma lápide com seu nome. Enfim, houve muitas adições, mas nem todas foram bem recebidas pelos fãs, pois notou-se um certo desleixe em relação aos trabalhos artísticos nessa versão, que usava apenas as imagens digitalizadas. Outro fator que contribuiu muito foi que o jogo foi muito ocidentalizado e modernizado, na contramão dos dois primeiros, que eram mais “orientais” e menos modernos, sem a presença de robôs, implantes metálicos e etc. Esses fatores, além de outros como fatais que explodiam o mundo, causaram estranheza em muitos daqueles que aclamaram as duas primeiras versões. O primeiro update de Mortal Kombat 3, a versão Ultimate, trouxe mais personagens: Jade, Kitana, Scorpion, Reptile e Smoke como selecionáveis, Mileena, Classic Sub-zero, Ermac, Human Smoke e Chamaleon como secretos e Rain e Noob Saibot como oponentes secretos. Além de novos personagens, novos cenários (como Scorpion’s Lair e Smoke’s Portal) e a correção de vários bugs e falhas, além de algumas várias pequenas alterações. O mais curioso de se destacar é que tanto Mortal Kombat 3 quanto Ultimate Mortal Kombat 3 possuem versões diferentes, dependendo da plataforma para o qual eram convertidos. Os jogos ganharam versões para SNES, Saturno, Playstation, Genesis, Xbox 360 e Playstation 2.

1995 foi um ano de experimentações para a SNK. A empresa produziu o insólito Savage Reign e mudou radicalmente duas de suas tradicionais séries com Samurai Shodown III e Fatal Fury 3. Este último foi o primeiro título de Neo Geo a ultrapassar a barreira dos 250 megabits de dados, chegando ao total de 266 Mb – antes dele, o maior foi Samurai Shodown II, com 202 Mb, e o recordista seguinte foi o shooter Pulstar, com 305 Mb. A grande quantidade de memória para a época foi utilizada para refazer totalmente o visual, após o excelente Fatal Fury Special (atualização de Fatal Fury 2), o que denota a ousadia da SNK de então em comparação com a empresa que ficaria reciclando sprites ano após ano mais tarde. Claro, o tamanho da tarefa, como geralmente acontece, comprometeu o tamanho do elenco: de 15 personagens em Fatal Fury Special, passou-se a 10 lutadores selecionáveis e três chefes. Outro arrojo: apenas cinco deles eram conhecidos. Dos estreantes, alguns se destacariam mais no futuro, como Blue Mary e Ryuji Yamazaki. O sistema de jogo também apresentou novidades, como controle da altura do salto, três planos de ação, defesa aérea, combos de botão e avaliação de desempenho ao final de cada round.

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A essa época, a empresa tinha escritório em nosso país, no bairro do Jabaquara, em São Paulo. E a empresa investia pesado em sua operação brasileira, com lançamento simultâneo de jogos, a presença oficial do console Neo Geo CD, campanhas de marketing em revistas especializadas e participação expressiva em eventos como a Salex e a UD. Além disso, a maioria dos jogos era localizada para o português – mesmo que fossem as típicas traduções da SNK, notórias por seus erros e gafes. Ouvi dizer, não sei onde, não sei quando, que as traduções eram feitas na sede da empresa, em Osaka, mas isso não serviria de desculpa para as hilárias frases em inglês e em português.


Em 1995 houve mais uma edição do torneio de lutadores da SNK, o King of Fighters 95. Em relação ao anterior, sua principal adição eram os personagens. No lugar do time americano, temos o “Revenger Team”, composto por Billy Kane, Eiji Kisaragi (que queria acabar com o dojô Kyokugen) e Iori Yagami. Esse jogo marcou a estréia deste lutador, Iori Yagami, que é, juntamente com Kyo, um dos pilares da SNK. Na história de KOF, Iori vem do clã Yagami, rival do clã Kusanagi, sendo a principal diferença dos dois a cor das chamas, que no caso do Iori eram roxas. Na história, os lutadores são convocados para um torneio por uma carta misteriosa, assinada por um “R”. Ninguém desconfiou que era Rugal, pois esse aparentemente havia morrido. O vencedor deste ano era o Hero Team (antigo Japan Team), que acaba enfrentando Iori Yagami no final. Após derrotar Iori, eles são sugados para a casa do organizador e enfrentam ninguém menos que Saisyu Kusanagi, pai de Kyo, que havia sofrido uma lavagem cerebral. Após Kyo derrotar seu pai, ele enfrenta Rugal novamente, só que mais forte do que no ano anterior, nomeado como “Omega Rugal”. Ao final da batalha, Rugal começa a perder o controle de seus poderes e Iori aparece em sua mente lhe dizendo que “somente quem possui linhagem de sangue pode suportar esse poder”, em uma referência direta a origem desses super poderes do Rugal, que desaparece em meio a pilar de luz (O que é isso? Não seria em um pilar de luz ou energia). Por falar em Omega Rugal, este é considerado um dos jogos mais difíceis da série, pois aquele personagem que era perdido contra Saisyu não enfrentava Omega Rugal, ou seja, corria-se o risco de enfrentar o último chefe do jogo com apenas um personagem. Em relação à jogabilidade, pouquíssimas mudanças, sendo a principal a possibilidade de se editar os times, somente existindo um final para os times pré-estabelecidos, algo que se tornou padrão dentro da série. Outros aspectos como a forma de se encher a barra de especial e esquiva continuaram desde a versão anterior.

Em 1995 houveram alguns jogos que eram verdadeiras jóias, e outros que eram verdadeiras pérolas. Uma das jóias desse ano foi Weaponlord. Lançado para Super Nintendo e Genesis pela Namco e desenvolvido pela Visual Concepts, este jogo encantou a muitos jogadores e é tido como uma experiência da Namco, que já estava preparando um jogo maior: a série Soul (Edge/Blade e Calibur). Isso porque era um jogo de luta que utilizava armas, sendo que Soul Edge era 3D e Weaponlord, 2D. Weaponlord trouxe várias características que seriam utilizados em Soul Edge e na série Soul Calibur, como as armas quebráveis. Se fosse possível estabelecer uma referência, diria que o jogo está entre Samurai Shodown e Mortal Kombat. Graficamente o jogo impressionou muito, com personagens grandes, detalhados e animação fluida. A parte sonora também é excelente, sendo as vozes bastante claras. Em relação a jogabilidade, esse jogo também era impressionante, pois havia contato entre armas, desarmes, armadura quebrável e “fatality combos”. E é exatamente nesse ponto que o jogo consegue ser original, mesmo com Mortal Kombat já sendo lançado há uns três anos, porque o fatality era executado durante um combo. Desnecessário dizer que o jogo era violento, pois ele era e muito. Nesses fatalities havia de tudo, desde decepar a cabeça do sujeito e fazer “embaixadas” com a cabeça dele até enrolá-lo com uma espécie de teia e cortá-lo ao meio. O jogo trazia apenas seis personagens jogáveis (pouco para os padrões da época), mas eram personagens muito bem trabalhados e com diversos fatalities e finais diferentes, além de uma ótima inteligência artificial.


Também utilizando armas, em 1995 chega Samurai Shodown 3. Novos personagens foram adicionados, como Amakusa (jogável), Shizuru Hisame (filho de Zankuro e criado por Haohmaru), Rimururu (irmã de Nakoruru), Gaira Caffeine (sobrinho de Nicotine Caffeine), Basara Kubikiri (morto-vivo, que é ressuscitado para vingar sua esposa assassinada por Zankuro) e Zankuro Minazuki (demônio em forma de samurai, último chefe do jogo). Wan-fu, Genan, Earthquake, Jubei Yagyu, Charlotte, Cham Cham, Nicotine e Mizuki não retornaram nessa versão. Em relação a jogabilidade, temos a adição da esquiva, já amplamente utilizada em outros jogos da SNK, e da possibilidade de se cancelar golpes especiais em especiais (que utilizam a barra de especial). Mas a principal adição no jogo foi a opção entre personagens “Slash” e “Bust”. Slash é considerada a versão “boa” do personagem, com seus golpes mais próximos de Samurai Shodown 2. Já a versão Bust é como se fosse a versão “má” do personagem, com profundas alterações, como, por exemplo, Galford que vem desacompanhado de Poppy e Nakoruru que vem acompanhada de um lobo, ao invés de Manahaha. Com relação à história, esta é bem complexa (talvez a mais complexa da série) e se passa entre a história de Samurai Shodown e Samurai Shodown 2, sendo a primeira parte de uma sequência de dois jogos, completada com Samurai Shodown 4. Nela, uma espécie de demônio chamado Zankuro desce a Terra e vai viver em um vilarejo, em que se casa e tem dois filhos. O primogênito era uma menina, o que fez a mãe esconder do pai o sexo da criança. O segundo, Shizumaru, era realmente um menino. Porém, quando estava se tornando mais humano, descobre que o primeiro filho era na verdade filha, se sente traído, mata a criança, a esposa, a vila e pega a criança e a deixa em um bambuzal. Haohmaru acha a criança e pede a Nicotine para deixar ficar com ela e é atendido, desde que ele cuide dela. Nisso, Zankuro resolve matar somente aqueles que o desafiarem, e vai viver sozinho em um templo. Amaterasu sente o perigo que emana das vibrações negativas de Zankuro e pede aos cinco guerreiros sagrados para irem lutar contra Zankuro. Porem, ao sentir que Ukyo, Haohmaru, Basara, Kyoshiro, Hanzo e Nakoruru não seriam páreos para Zankuro, Amaterasu se apodera do corpo de Shizumaru, que reconhece o filho e contra ele trava um duelo, até ser derrotado por ele, Shizumaru, dominado por Amaterasu.

Se em Weaponlord tivemos uma “jóia”, em Street Fighter: The Movie tivemos uma “pérola”. Primeiro porque é baseado em um filme de Street Fighter que zomba do jogo, ao caracterizá-lo de uma forma que beira o ridículo, desconsiderando a importância de Ken e Ryu em detrimento de Guile, pelo fato deste ser americano. Este filme é uma ofensa aos gamers e à série, da mesma forma como o filme de Resident Evil também brinca com a franquia homônima. Segundo porque o jogo introduziu movimentos estranhos a série, como “Electric Arc” do Bison e “Handcuff”, do Guile. Zangief e Balrog têm agora a habilidade de refletir projéteis. Além desses elementos, a jogabilidade traz outras diferenças em relação aos jogos regulares, como os “Interrupt Moves” executados após uma defesa; “Comeback Moves”, especiais executados quando a energia está no “danger”; e um movimento chamado “Regeneration”, capaz de regenerar a energia, consumindo a barra de especial. A parte gráfica trazia gráficos digitalizados, comuns na série Mortal Kombat mas totalmente diferente dos sprites de Street Fighter 2, contudo bem mais fiéis ao filme que o inspirou. Por falar em Mortal Kombat, a impressão que se tem é de um Street Fighter feito pela Midway, pois os combos são semelhantes aos de Mortal bem como a jogabilidade em geral. Há uppercuts como em Mortal Kombat, demonstrando que a influência deste jogo foi muito além dos gráficos utilizados. Ainda ganhou versões para Saturn e Playstation.

World Heroes Perfect, o melhor e último jogo da série, traz gráficos 100% melhores. Nessa versão, a atenção para os detalhes foi enorme, na qual até olhar por onde está vindo o adversário os personagens olham. A atenção com os detalhes, em relação aos golpes especiais também foi melhorada, como por exemplo no especial “The Garden Secret” do Rasputin, na qual ele leva o adversário para atrás da moita e CRAW! (sim, isso mesmo que você está pensando), com gemidos, corações e etc. Quando o sujeito tenta escapar, ele o puxa de novo e CRAW! mais uma vez. Depois Rasputin aparece ajeitando o roupão e o adversário, caído de paixão. É cômica a cena. No mais, ele é um final para a série. Nele, Rugal (mais uma vez) observa os combates e resolve chamar Zeus para conversarem sobre negócios. O negócio que ele estava querendo fechar era levar a máquina do tempo para a Alemanha, e Zeus acaba impedindo que Hanzou, Fuuma, Ryoko e Janne atrapalhem os planos de Rugal. Enquanto isso, Neo Dio reaparece descontrolado e mais poderoso, tentando matar Hanzou, Fuuma e Ryoko para ganhar os poderes do passado, presente e futuro e ficar mais poderoso. O que ocorre no final é que Neo Dio é derrotado por Hanzou, através de um golpe (Haoh Tsunami) desenvolvido com os poderes passados a Hanzou por Janne, Ryoko e Fuuma. Ao final da saga, ninguém vence de verdade, pois nenhum dos guerreiros consegue voltar para casa, mas cada um procura se adaptar ao tempo em que passou a viver, nos dias atuais. Quatro personagens da série marcaram presença em outro jogo da SNK: o Neo Geo Battle Coliseum. Foram Hanzo, Fuuma, Mudman e Neo Dio.

O último jogo a ser mencionado em 1995 é Savage Reign. O game, lançado pela SNK, foi mais um que seguiu a linha de Samurai Shodown, pois utiliza armas em seus combates. É um jogo de luta 2D, porém com dois planos distintos, algo que já havia sido amplamente utilizado pela SNK, desde o início da série Fatal Fury. A diferença básica é que um dos níveis era mais alto do que o outro. Como já foi dito, armas são utilizadas nos combates e essas serviam não apenas para combos e golpes próximos, mas também poderiam ser jogadas contra o adversário. Com relação aos controles, haviam quatro botões, sendo um de soco, um de chute, um para ataques com a arma e um para se trocar de plano. Para se executar os golpes fortes, bastava segurar o botão. O jogo se passava na primeira metade do século 21, na futurista e fictícia South Town, sendo que um dos cenários do jogo era inclusive a Geese Tower. Um homem misterioso chamado King Lion emergiu das sombras e organizou um campeonato, transmitido pela televisão, no qual desafiaria o lutador mais forte em uma luta conhecida como “Battle of the Beast God”. Ele havia prometido ao vencedor fortuna, sonhos e fama além da imaginação. Nove competidores competiam, cada um com suas próprias razões e propósitos, entre eles Sho Hayate (protagonista, dono do Fu’un-Ken, uma técnica que mistura artes marciais com boomerangue), Carol Stanzack (ginasta francesa), Max Eagle (um “undefeated wrestler”), Gordon Browman (um policial, que luta com um tonfa), Chung Paifu (que usa um boné que ganhou de um homem conhecido como “Legendary Wolf”), Gozu (ninja vermelho que utiliza garras de fogo), Mezu (ninja azul que utiliza garras de gelo), Joker (um palhaço e líder de uma violenta gangue), Nicola Zaza (um nerd que criou uma super vestimenta e um super escudo), King Lion (responsável pelo evento) e King Leo (alter ego de King Lion e último chefe do jogo). Importante mencionar que King Lion apareceu como personagem jogável em Neo Geo Battle Coliseum.

O ano de 1995 nos trouxe grandes lançamentos e podemos afirmar que foi o ano dos jogos de luta com armas, pois houve três lançamentos de peso para esse sub-gênero. Entre os três, o destaque foi a terceira versão de Samurai Shodown, com sua complexa história. Entre todos os jogos apresentados, o destaque foi realmente para Marvel Super Heroes, pois podemos dizer que este jogo marcou uma geração e conseguiu trazer definitivamente os heróis da Marvel para o mundo dos games, além de evoluir em vários aspectos o que foi apresentado já com muita qualidade em X-Men: Children of the Atom. Como ficou claro, o ano foi bem movimentado, pois tivemos a estréia da série Alpha e o segundo jogo da série King of Fighters, além dos outros jogos apresentados. O próximo capítulo irá mostrar o ano de 1996, onde, enfim, falaremos de Soul Edge e suas ainda impressionantes abertura e trilha sonora. Teremos também início da série Versus, King of Fighters 96, Tekken 3 e outros.

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Um jogador das antigas, que ainda continua na ativa no mundo dos videogames!

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