Controles da nova geração: uma verdadeira evolução?

Estamos satisfeitos com os controles da atual geração? Depois de uma geração definida pela maior variedade de periféricos em décadas, desde varinhas sensíveis ao movimento, a câmeras infra-vermelhas e um conjunto de instrumentos de plásticos, é claro que – se bem feito – inovar o seu sistema de controle pavimenta o caminho para alguns jogos igualmente inovadores. Com a chegada da nova geração da Sony e Microsoft, finalizar os detalhes mais delicados dos seus comandos de nova geração é uma fundação crucial para o sucesso. Esta é uma tarefa invejável para os seus departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento: apesar de resistir a mudanças deixar as duas companhias mais perto de ficarem para trás na curva técnica, mexer muito com uma fórmula que funciona ostenta uma ameaça certa de críticas dos consumidores.

É difícil alinhar tudo, especialmente porque temos usado os controles DualShock 3 e do Xbox 360 há sete anos, e são ambos padrões bem respeitados. No entanto, podemos dizer que existem aspectos de cada um que que ainda hoje espantam muitos jogadores. Nenhum é perfeito: o curioso design convexo do gatilho no controle da Sony ainda leva muitos jogadores a recorrerem aos botões R1 e L1 para os controles FPS. Entretanto, o design do d-pad no 360 continua estranho para fãs casuais de jogos de luta – apesar de várias revisões serem realizadas ao longo dos anos.

Durante a E3 deste ano, passamos um bom tempo com os controles finais para o Xbox One e PlayStation 4, cada um pronto para ser o alicerce de comando no console para a próxima geração. A Microsoft claramente teve muito trabalho, aparentemente descartou mais de 200 protótipos antes de chegar ao design final, contabilizando mais de 40 mudanças importantes sobre o controle atual do 360 que já conhecemos. A nossa primeira experiência com o controle foi durante a demo de Ryse no espaço da Crytek, e a peça nas nossas mãos é muito familiar em peso, molde e textura ao do 360. No entanto, sessões prolongadas de jogo revelam algumas diferenças importantes na forma como funciona.

Para começar, os novos analógicos da Microsoft são mais pequenos em diâmetro e menores em altura, com fitas texturizadas ao redor dos seus centros côncavos. Anteriormente tínhamos quatro pontos de borracha para guiar os nossos polegares, mas estes recessos criam uma aderência maior para os nossos dedos enquanto movimentamos os analógicos de forma circular. A redução destes analógicos deixou-nos preocupados no início, mas o controle acaba sentindo-se tão firme quanto antes, enquanto a aclamada redução nos parâmetros da zona morta aparece menos em jogos como Forza 5. Esta é uma medida que mostra quanto o analógico precisa se mover antes das ações começarem a ser registadas na tela, e a viagem reduzida definitivamente ajuda em toques mais gentis na direção do carro.

“O controle do Xbox One é similar ao do 360 em peso, molde e textura. No entanto, sessões de jogo prolongadas revelam algumas diferenças chave na forma como os seus comandos funcionam.”

xbone

O novo controle do Xbox One da Microsoft fica nas mãos de forma similar ao anterior, com um compartimento de bateria (encaixa tanto baterias AA como um pacote de lítio recarregável) que agora está dentro da traseira da unidade. Desta vez não existe cabos de energia, que agora seguem através da interface mini USB na sua cabeça.

É um cenário similar para os analógicos DS4 da Sony. Zonas mortas reduzidas fazem com que jogos como DriveClub sejam muito mais fáceis de controlar, mas a maior mudança aqui é a fricção nos analógicos – aumentada para o aproximar-se da pressão necessária no controle do Xbox One. O velho analógico do PS3 com as suas formas convexas são criticados frequentemente por se sentirem muito frágeis, e uma compra que podia ser perdida com muito mais facilidade sem uma proteção. Isto está agora retificado com um recesso nas partes superiores de cada novo analógico. No geral, é espantoso como ambos são similares neste departamento, é como se o PlayStation e o Xbox tivessem independentemente acertado o mesmo ponto específico para segurar o comando e realizarmos a pressão necessária.

Olhando para os botões, o DS4 tem um d-pad ligeiramente mais robusto que o habitual, usa uma textura mais suave que ramifica em direção ao centro. É escorregadio ao toque sendo preciso prática – isso é comum após três gerações usando d-pads bruscos para movimentos de meia lua em jogos de luta. No lado direito do controle, os botões analógicos frontais de precisão 8-bit do controle anterior dão lugar a versões digitais, principalmente devido à sua falta de uso prático em jogos, mas também para melhorar as velocidades de comunicação com o PS4. Esta mudança na latência não é apreciável na prática, mas os botões afundam agora com um click mais tátil quando a nossa ordem é registrada.

Quanto ao d-pad do controle do One, finalmente temos a aguardada revisão do design quadrado do da atual geração, e nem olhamos para trás. Uma cruz em estilo Nintendo está por cima de uma gentil curva interior no molde do pad, cada ponto em depressão em todas as direções sem as suas arestas baterem nos contornos. A demo de Killer Instintc na E3 infelizmente podia apenas ser jogada com sticks arcade, impedindo um adequado teste com jogos de luta 2D. No entanto, uma rápida passagem entre estilo de jogo ofensivo e defensivo em FIFA 14 ao pressionar esquerda e direita mostra que ordens erradas ou mal interpretadas devem ser agora coisa do passado.

Olhando para cima do pad do Xbox, temos dois gatilhos cortados em design mais angular que antes, criando um ponto de dobra natural para os indicadores que o rodeiam. Depressão mais fácil nos gatilhos também é um grande bônus sobre a sensação muito resistente das versões do 360. Comparativamente, o controle padrão da Sony tem a maior melhoria nesta área – o design tem uma ligeira curva para o exterior que encaixa a dobra de cada dedo, afinando-o para um ponto melhor. É difícil categorizar a eficácia desta abordagem; apesar de não ser um gancho completo ao estilo do comando do rival, funciona muito bem para segurar cada dedo, e a tensão necessária para o pressionar novamente é bem similar à solução encontrada pela Microsoft.

“Zonas mortas inferiores nos analógios fazem com que jogos como DriveClub sejam mais fáceis de controlar, mas a maior mudança aqui está na fricção dos analógicos – aumentada para aproximar-se da pressão precisa encontrada no One.”

ps4

O controle DS4 da Sony tem grandes mudanças, e felizmente todas nos locais certos. Em termos de design ergonômico, as pegadas são mais redondas e as partes inferiores tem uma textura em borracha que torna fácil de o agarrar, sem se sentir muito pegajoso. O seu peso de 210g também é apenas um leve aumento sobre o peso do controle atual.

Sony e Microsoft adicionaram funcionalidades extras para ajudar a distinguir dois padrões de controle de outra forma homogênea. Os “gatilhos de impulso” no One são uma escolha particularmente inspirada, tem um motor extra ligado diretamente a cada botão nos ombros. Apesar de não termos nenhum FPS no evento para experimentar isto, jogos como Forza 5 estão bem otimizados para ele, enviando uma mistura bizarra de vibrações – tanto graves como agudas, se preferirem – ao mesmo tempo para as tuas palmas e pontas dos dedos enquanto a aceleração é modulada. O efeito é eletrificante, mas com quatro motores disparando ao mesmo tempo chegamos a pensar que a bateria pode sofrer consequências. Algumas destas preocupações são acalmadas pelas promessas que o comando tem um modo de baixo consumo de energia, desligando partes do controle – incluindo vibração – quando está parado.

O controle da Sony também tem os seus truques. No centro do DS4 está um painel tátil capacitativo de dois pontos, situado entre a coluna mono e o botão home, e os botões share e opções de cada lado. Esperamos que estes dois botões de funções sejam colocados mais perto do arco natural dos teus polegares durante o uso – apesar de não termos o uso das muito aclamadas funcionalidades comunitárias durante as demos na E3. A barra de luz no topo também foi raramente usada nas demos da E3, mas para o multiplayer a sua codificação em cor funciona como uma alternativa eficaz aos indicadores LED nos nossos atuais DS3.

A interface tátil é única, e apresenta uma forma com mais nuances para interagir com os mundos de jogo. É pressionável como um painel normal de portátil, e mesmo leves toques na sua superfície tem uma resposta rápida – em teoria, jogos RTS devem encontrar uma casa confortável na plataforma no futuro. Ainda assim, o uso mais eficaz para estes controles em jogos disponíveis até agora envolve deslizar em várias direções para ativar movimentos com teclas de atalho em Warframe e Killzone: Shadow Fall. Ao contrário dos controles giroscópicos também presentes no aparelho, esta novidade é desconhecida no espaço dos consoles, e por isso teremos que ver o que acontecerá.

“O uso mais eficaz para estes controles em jogos disponíveis até agora envolve deslizar por várias direções para ativar movimentos com teclas de atalho em Warframe e Killzone: Shadow Fall.”

forza1
forza2
killzone1
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Jogos de lançamento da nova geração como Forza Motorsport 5 e Killzone: Shadow Fall tiram grande vantagem das funcionalidades únicas de cada controle. Uma vibração mais detalhada pode ser sentida no controle da Microsoft, sejam leves drifts ou colisões esmagadoras, enquanto no controle da Sony, comandos táteis significam que existe uma forma extra de acessar a movimentos tais como escudos auto-turret e ziplines

Dual Shock 4 e o controle do Xbox One: o veredito provisório

Depois de tudo, tanto a Microsoft como a Sony claramente tiveram em conta as fraquezas dos seus controles da atual geração e fizeram correções sem passar da linha – chegando inevitavelmente a um meio termo similar no design ergonômico. A Microsoft não é estranha em seu processo de evoluir o seu design de controles a cada geração, indo do enorme controle do Xbox original, a uma versão minimizada que formou a base do controle do 360. O do One continua essa tradição de refinamento com gentis ajustes – e a adição de funcionalidades vibratórias que constituem uma diferença surpreendente – apesar do resultado poder ser familiar para os fãs do Xbox.

Entretanto, o DS4 da Sony mostra uma partida mais radical sobre o fator forma DualShock que se aguentou por três gerações. Com a revelação que nem o PlayStation 4 e nem oXbox One oferecem compatibilidade com os atuais controles, é bom que estes novos comandos ofereçam ajustes incrementais suficientes em todas as facetas dos seus designs, cada um adicionando uma sensação abrangente de melhoria no geral, melhor do que esperávamos inicialmente. Certamente, o conforto do controle será sempre uma questão de gosto pessoal, mas entre os dois, o equilíbrio entre conservação e evolução foi julgado com cuidado.

Via Eurogamer.net

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Um jogador das antigas, que ainda continua na ativa no mundo dos videogames!

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