A guerra dos 16 bits – parte 2 – Sega CD vs Snes CD?

Pessoal, vamos com a segunda parte da excelente matéria feita pelo RAFAEL DE OLIVEIRA, voce pode relembrar a primeira parte AQUI.

A CORRIDA ARMAMENTISTA E SEUS EFEITOS COLATERÁIS:

(Sega CD/Mega CD e Super Disc/“Play Station” da NINTENDO)

Os jogos do Mega fizeram dele um sucesso. Isso é fato, mas os aditivos também ficaram na nossa memória, que por sua vez foram uma solução para não mudar logo a geração (naquele tempo não se fazia um console top e a geração já mudava antes mesmo de tirar o máximo dele). O trombolho mais famoso para o Mega é o SEGA CD (ou Mega CD). Com um processador ainda mais rápido, novos chips de som com mais 3 canais, melhor processamento gráfico, incluindo efeitos especiais de zoom e rotação e o uso da então inovadora mídia CD para jogos, o add-on chegou para deixar o Mega Drive ainda mais competitivo. Seu único defeito foi não aumentar a palheta de cores do Mega Drive. As vendas foram excelentes a princípio – especialmente no mercado americano e europeu -, graças a grande expectativa sobre a nova tecnologia (mesmo que nos PC’s, CD-Rom não fosse novidade b. nenhuma).

Com o lançamento do SEGA CD, a Nintendo rapidamente tomou medidas para lançar um leitor de CD’s para competir. Para isso, ela firmou um contrato com a Sony para a criação do aparato para o seu 16 Bits. Novamente o engenheito da Sony, Ken Kutaragi, ficou encarregado da tarefa, criando um CD-Rom para o Snes. Ele foi batizado na época de “Super Disc” e teria a mesmíssima funcionalidade que o SEGA CD.

Contudo, amiguinhos….durante o projeto houveram discordâncias ($$$$) entre as empresas. A Sony queria uma porcentagem das vendas do aparelho e dos games, que foi renomeado de Play Station, e a NINTENDO, claro, não aceitou. Desenhando: A Sony, espertinha e mercenária como sempre foi, queria o controle total dos games feitos para o aparelho. Usando então a base do Super Nintendo para entrar no mercado de videogames e literalmente montando nas costas do Snes.

A Sony anuncia ao mundo que havia conseguido os direitos de distribuição do novo aparelho. A Nintendo não gostou nem um pouco da notícia (sabemos que a Big N tambem é conhecida por querer ter o controle de tudo) e no dia seguinte foi a público fazer o seu próprio anúncio. No entanto, ao invés de firmar o pacto com a Sony como todos esperavam, disse que estava criando um leitor de CDs para o Super Nintendo com a Phillips (???????). A Sony não caiu de amores e as duas cortaram relações de vez.

A Sony havia provado o gosto da grana dos games e além do mais já tinha investido em um projeto que estava a ponto de bala. Era tarde para segurar o monstro que havia sido criado e ela continuou o seu projeto “Playstation”, que foi lançado em 1994, totalmente remodelado e sem nenhum laço com a Nintendo. A Nintendo tentou medidas judiciais para impedir o lançamento e a fabricação, mas perdeu em várias instâncias nos Estados Unidos e Japão. A Big N acabou fazendo dois rivais nessa história: a Sony,que jurou vingança, e a coitadinha da Phillips, que não passou de um peão na briga entre as duas gigantes.

(O primeiro Playstation)

Ironicamente, o Playstation dominou o mercado, que antes pertencia à Sega e à Nintendo, tornando-se o videogame mais vendido da história até então (mais de 100 milhões de consoles vendidos). Essa a Nintendo teve que levar, e com areia. Deve estar doendo até hoje.

 

(O console da Philips CD-I)

E o tal acordo entre a Nintendo e a Phillips também não vingou, ou melhor, resultou sim, no “CD-i”, um aparelho interativo que não agradou, mas que foi lançado apenas pela Phillips e que ganhou o direito de lançar 4 games da Nintendo para o console (um Mario e três Zeldas, todos tidos como muito ruins e ignorados pela Big N).

 

(Anuncio Chip Super FX em Starfox)

Depois de tanta confusão para criar um bendito periférico de CD para o Super Nintendo, a marca finalmente acabou desistindo. No entanto, encontrou outra solução mais prática e barata, o chip “Super FX”, que melhorava os gráficos do console para então gerar gráficos 3D. Ou seja, ao invés de parafernalhas, tivemos cartuchos melhorados (na minha opinião uma excelente saída). Ele foi super anunciado e alguns jogos foram lançados com esse chip, mas somente dois REALMENTE fizeram sucesso: Star Fox, lançado em 1993 e Super Mario World 2, de 1995.

È importante lembrar que outros chips foram produzidos e usados em games que também fizeram sucesso, como os jogos Mega Man X, Street Fighter Alpha 2, Super Mario RPG, killer Instinct e outros.

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DESFECHO:

Nessa altura do campeaonato as vendas do Mega Drive estavam decaindo e o Super-Nes já abocanhava boa parte do mercado, também graças a grande quantidade de RPGs que eram lançadas para o console, que foi o ponto fraco do Mega. Como já foi dito, os RPGs exigiam menos do poder de processamento, diferente dos jogos rápidos de plataforma ou de esportes (o ponto forte do mega). Deste modo, a Nintendo podia impressionar com os efeitos audiovisuais. Mas engana-se quem pensa que o Mega não tinha bons RPGs. Landstalker, Solei (também conhecido como Crusader Of Centy), a série Phantasy Star, Shining Force, Beyond Oasis e Arcus Odyssey são bons exemplos de excelentes RPGs para o console, segundo a opinião geral.

Em 1994 a Rare surpreendeu o mundo ao lançar Donkey Kong Country para o Super Nintendo. O jogo era revolucionário, mostrava gráficos que até então jogo nenhum havia conseguido reproduzir em 16 Bits: gráficos pré-renderizados 3D em um console 2D. O jogo foi o maior sucesso, as vendas do Super Nintendo dispararam e, finalmente, a Nintendo conseguiu recuperar seu primeiro lugar no mercado de 16 Bits. Mais dois jogos do DK foram lançados para o Snes, mas não chegaram a impressionar tanto como o primeiro, afinal já estávamos entrando no final da era dos 16 Bits.

Em 1995 foi tomada uma decisão que, para muitos, foi o maior erro tático da SEGA em toda sua história, lhe custando bilhões de dólares: ela iria parar com a produção do mercado de 16 Bits, ou seja, a linha do Mega Drive, para se concentrar apenas no Saturn, seu novo videogame de 32 Bits.
Tom Kalinske, chefão da SEGA of America e que tinha se mostrado grande estrategista e o principal responsável pelo sucesso da empresa nos EUA, foi demitido. Logo, não ficou difícil para a NINTENDO dominar o mercado e transformar o Super Nintendo no 16 Bits mais vendido na história.

Considerando que o Snes virou o jogo no segundo tempo, ele não fez feio. Mas isso não apaga os milhões de Mega Drive vendidos até então.

O surgimento do Mega foi responsável pela mais notória e histórica disputa no mercado dos videogames, com as duas empresas, SEGA e NINTENDO, fazendo de tudo para agradar aos consumidores, que ganhavam jogos melhores e em grande quantidade. Por tudo isso digo que no final das contas foi uma guerra saudável para o público. Afinal, nós vencemos!

CONSIDERAÕES FINAIS:

snes

(anuncio nacional SNES com DK Country)

 

 sonic

(anuncio Mega com Sonic)

play tv

(GUGU pegando carona no sucesso dos games)

O Super Nintendo fez história e conquistou uma legião de fãs pelo mundo, inclusive aqui no Brasil. Muitos (me incluindo) consideram o console como o melhor já feito pela empresa, com a melhor lista de jogos que nenhum de seus sucessores conseguiu superar. O 16 Bits mais vendido na história, com aproximadamente 45 milhões de unidades vendidas em todo o mundo.

Quanto ao Mega Drive, que ainda sobreviveu até 1998 na Europa, e veja só, aqui na América do Sul, mesmo sem nenhum apoio da SEGA, a Tec Toy é a única empresa do mundo a ainda fabricar e vender suas próprias versões dos consoles Master System e Mega Drive, cada um com mais de 2 milhões de unidades vendidas aqui no Brasil. Sem duvida um feito notável para esse console que marcou uma geração (da qual também me incluo).

Quem viveu naquela época jamais vai esquecer os comerciais, as capas de revistas com os mascotes das empresas, programa de TV (quem mais se lembra de um programa do GUGU que a molecada “entrava” nos jogos da SEGA?)

Sem falar, que esses eventos foram bastante relevantes. Como disse no começo do texto, o “Mega Drive define a história da própria SEGA”, porque ela passou sua existência como fabricante de consoles para chegar ao Mega, e depois para tentar repetir o sucesso do mesmo. Sabemos que ela nunca mais a mesma, para sobreviver teve que parar de fabricar consoles (continuando com seus arcades) e transformou o Sonic em uma putinha multiplataforma.

Já a Nintendo teve sua prova de fogo definitiva, brigou, inventou moda, criou um monstro com a Sony (se ao menos a metade da nova geração de “Sonystas” soubessem a origem de seu ídolo com dual-shock e o quanto ele passou perto de não existir….), e no fim, “viveu” seu melhor momento. Recentemente ela até repetiu a liderança com seu Wii, superando sim o Xbox 360 e PS3 em vendas durante algum tempo. É tudo nisso que penso quando algum “Fã-boy” afirma que ela vai quebrar para concorrência, a Big N continua aí, inventando moda, e claro, com seus exclusivos que até o pior Hard Gamer adora, embora ele possa não admitir.

Fontes: Wikepedia (especificações técnicas) e vários sites e vídeos do gênero.

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Um jogador das antigas, que ainda continua na ativa no mundo dos videogames!

17 responses to “A guerra dos 16 bits – parte 2 – Sega CD vs Snes CD?”

  1. MAX says :

    Snes cd? Isso é novidade!

    • Rafael de Oliveira says :

      Isso ae. Super Disc da Nintendiuuuuu!!! Sem essa ideia de jacú o “Pray” não estaria na praça.

  2. Bruno says :

    Gugu na vanguarda di games…….huahuhauhuhauhauhuahuhuhau

  3. Anonymous says :

    Gugu é a maior bichona! Mas gostei do post, parabéns Rafael!

  4. Ragna says :

    Cumpriu sim Rafael, meus parabens e também a toda equipe do Rodgames, esse blog tem muita coisa boa!

  5. Fry says :

    Cai aqui no blog por acaso, mas ta bem bacana, parabens a todos!

  6. z37h says :

    Em primeiro lugar, seu post está excelente. Em segundo lugar, o SNES CD seria uma resposta ao Sega(Mega) CD, da Sega, porém um desacordo entre a Nintendo e a Sony resultou na criação do Playstation, o que resultou em grandes problemas para a Nintendo, que anos mais tarde, desenvolveu o Game Cube, mas este não foi convincente ou poderoso o suficiente pra fazer frente aos concorrentes, PS2 e Xbox. Então a Nintendo lançou o Wii, que conseguiu levantar um grande balanço de vendas, mesmo que seu hardware fosse inferior ao dos concorrentes.

  7. Rafael de Oliveira says :

    Verdade, z37h. A Nintendo nem sempre é fácil de entender, mas sempre foi competitiva!!!.

  8. Fred says :

    Olá pessoal. Nesta guerra de games ainda me lembro de uma revista que se chamava ação games noticiando o lançamento do MEGA DRIVE e com fotos de alguns gráficos de jogos como o Strider, Tuxton e Ghouls in Ghost. Eu sou da era dos 8btis e passei a maior parte da década de 80 jogando nintendinho e master anterior a estes dois o Atari e então quando vi o 16btis achei inacreditavel a qualidade dos gráficos rsrsrsrsrs. Enfim, como o autor da matéria sobre a guerra dos games disse, foi uma época de ouro para quem a viveu, pois as empresas se empenhavam em lançar sempre bons jogos para agradar o gamer nesta competição.

  9. Rafael de Oliveira says :

    Obrigado pelo comentário Fred.

    Tambem sou da geração artari e migrei para Master e depois Snes, por isso meu foco foi justamente abrir uma janela para o passado, naquele tempo de acompanhar as novidades nas revistas especializadas, de trocar ou alugar cartuchos e jogar videogame depois da aula com a turma (aquilo era multiplayer.rs)!

  10. qrpunwpas@live.com says :

    I’m incredibly amazed while using way you place your emotions into words. I want I could write just like you. Very good stuff.

  11. Rafael de Oliveira says :

    Thanks a lot, qrpunwpas@live.com.
    In fact, i just wanted to use my poor writing to talk about a great time of my childhood.

  12. Mauricio says :

    Killer Instinct não usa nenhum tipo de chip especial,e sim a mesma tecnologia dos jogos da serie Donkei Kong.

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