Momento Cabeção #3: Nem Tudo Que Balança é Brinquedo de Criança.

Eu sonhei em ter um videogame de 8bits quando era criança. Infelizmente esse sonho nunca se tornou realidade, e eu apenas experimentei as aventuras de Mario e Sonic jogando em consoles de amigos vez ou outra. Mais tarde, agora como um pré-adolescente que guardava parte da “grana” de seu primeiro emprego, e com uma força de meu pai, pude ter um Super Nintendo. Nos 16bits eu “tirei minha barriga da miséria”, explorando fases de MagamanX e guiando Samus Aran através dos claustrofóbicos corredores do planeta Zebes. Quando adolescente descobri os árcades, e tive felizes tardes de sábado em meio a “Hadoukens” e “Shoryukens”. Hoje sou um gamer adulto, e nem por isso menos apaixonado. Mas agora, minha diversão é encarnar Master Chief em sua luta contra o Covenant, estourar cabeças locust em Gears of War ou até mesmo enfrentar os deuses do olimpo com minha fúria.

Você deve estar se perguntando: “Onde esse cara quer chegar com esses rodeios?”

Quero chegar a uma evidente conclusão: eu cresci, e os videogames cresceram junto comigo.

A escalada dos jogos eletrônicos para alcançar o topo da industria cultural se inicia no fim dos anos 80, conquistando as crianças com temas infantis. Com o decorrer do tempo os videogames acompanharam o desenvolvimento deste publico, oferecendo mais e mais jogos com temas relevantes para o publico “teen”. E hoje, com a grande maioria do publico alvo chegando aos 30, os temas abordados pelos games são majoritariamente adultos.

Isso mesmo, adultos. Por mais estranho que isso possa parecer a um leigo (já que no senso comum BRASILEIRO, videogames são brinquedos infantis) os games de hoje, em sua imensa maioria, falam sobre sexo, drogas e até Rock’n’Roll.

De Super Mario a GTA: Os Games cresceram com o publico.

Vez ou outra sou reconhecido como alguém que (modéstia a parte) entende bem deste assunto e, corriqueiramente, amigos e colegas me fazem questões como essa:

– Ademir, to querendo comprar um videogame pro meu filho. O moleque é doido com uns joguinhos. Qual videogame se acha que é melhor pra ele?

– Quantos anos ele tem? – pergunto eu de volta.

– Meu moleque vai fazer 5. Que cê acha melhor, ps3 ou Xbox?

– Nenhum! – isso mesmo. Nenhum! Não que jogos infantis não mais existam, mas são uma minoria feita para agradar adultos nostálgicos, felizes em reencontrar os “Greatest Hits” de sua época. Acredite, seu filho de 5 anos não vai achar “A Galinha Pintadinha” entre os títulos do PS3, e nem “As Aventuras de Patati e Patata” para Xbox. É de certa forma triste constatar, mas agradar a criançada há muito não é uma das prioridades das “softhouses”. Porque? Simplesmente porque marmanjos como eu, e provavelmente como você, não nos importamos em comprometer parte de nossa renda com jogos. Somos um publico fiel, exigente, culturalmente mais experiente e de elevado poder aquisitivo. Somos tão bons que ninguém quer arriscar nos perder. E como técnico esperto não mexe em time que esta ganhando, as coisas tendem a ficar assim um bom tempo.

Duck Tales Remastered: Saciando a saudade  de marmanjos.

O que fazer para agradar as crianças então? Espertos que são, os pequeninos estão atentos a tudo isso e também desejam participar do mundo dos jogos eletrônicos. Felizmente, boas opções ainda existem. Diversos jogos infantis foram e ainda são lançados para dispositivos moveis como celulares e tablets. É bem fácil se deparar com eles na PlayStore ou na AppStore, e a boa noticia para os pais é que eles costumam ser bem baratos. Penso também que a Nintendo jamais abandonara o publico infantil, e consoles como o 3DS e mesmo o WiiU se tornam boas opções para pais mais abastados. Lembrando que em qualquer uma destas opções é importante que Haja a vigilância e controle de adultos. Afinal, um mero descuido pode expor seu filho a conteúdos indesejados.

O que para mim, e para a maioria dos gamers acredito eu, é algo obvio, para muitos pais é um mero detalhe. Digo isso pois muitas vezes me deparei com crianças pequenas jogando Call of Duty e Halo em partidas online. Mas, mesmo assim, insisto: Games “HardCore” não são para crianças

.

Where’s My Water?:Games infantis ainda vivem em dispositivos moveis 

As crianças não interpretam personagens, elas vivem os jogos. E mesmo que os pais tirem os consoles das tomadas, isso não será suficiente para tirar as crianças da perigosa fantasia.

E se você é pai e não acredita em mim, tudo bem! Faça como São Tomé e de uma olhada nas lojas. Pelas prateleiras você encontrará coisas que servem muito bem para divertir crescidos (já que recomendações como “para maiores de 18” não são raras) mas que, na melhor das hipóteses, serão ininteligíveis aos pequenos.

Você levaria seu filho ao cinema para assistir “Duro de Matar” com você? Levaria ele a um estande de tiro para praticar? Daria pra ele toda a coleção de filmes do Tarantino? Então porque você acha normal que ele jogue games que discutem temas similares?

Gears of War e Ninja Gaiden: Diversão para maiores de 18 anos.

Pra finalizar aí vai um conselho: Deixem as crianças serem crianças. Deixem que brinquem, que chorem, que se divirtam, que se machuquem, que briguem e façam amigos. Deem a elas uma amostra do mundo real e façam assim adultos melhores. E quanto ao mundo virtual? Melhor deixar com maiores de 16.

Vocês podem acompanhar mais sobre o Ademir Feliciano em http://www.ademirfeliciano.com

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7 responses to “Momento Cabeção #3: Nem Tudo Que Balança é Brinquedo de Criança.”

  1. Alucard says :

    Essas matéria nesse blog estão muito boas!

  2. Bruno says :

    Quando e o proximo Momento Cabecao

  3. Bruno says :

    Quando e o proximo Momento Cabecao?

    • ad1000br says :

      Vou tentar manter uma periodicidade mensal para o Momento Cabeção.
      Se alguém tiver um tema que gostaria de discutir, estou aberto a sugestões.
      Até!!!

  4. ad1000br says :

    Vocês podem conferir mais textos meus no meu blog. Lá eu escrevo sobre videogames e também outros assuntos como politica, cinema, fotografia e musica. Da pra quebrar o galho enquanto outro Momento Cabeção não chega.

    http://www.ademirfeliciano.com

  5. Marcos says :

    Legal o seu texto cara, vou conferir seu blog tb!

  6. Ivan Soares says :

    Antigamente dávamos mais valor as coisas e aos momentos, se quiséssemos algo trabalharíamos e por isso cuidávamos direitinho, sentíamos aquela inveja do vizinho que tinha o jogo que não tínhamos, ou que tinha um console mais moderno, (meu primeiro foi um atari). Bons tempos!!
    Hoje a maioria desses consoles modernos estão jogados no canto de casas com crianças mimadas tratando-os como simples brinquedos,
    até outra coisa lhe chamar a atenção!!

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